Hot topics sobre Monkeypox (varíola dos macacos): você sabe o que é isso?

Varíola

Conheça os principais pontos sobre a chamada Monkeypox (Varíola dos macacos): a sua origem, causas, sintomas e como prevenir essa doença.

As notícias pipocam pelas redes sociais e pela mídia em geral. São muitas as informações publicadas sobre o aparecimento de “novas” – e desconhecidas – doenças nos últimos meses. Neste artigo, vamos te ajudar a entender melhor o que é a tão falada varíola dos macacos. Nele, você vai encontrar alguns “hot topics”, ou pontos principais, sobre a também chamada Monkeypox. Assim, será possível conhecer sua origem, suas causas, sintomas e, o mais importante, as medidas de prevenção desta doença. Vamos nessa?

O que é a Monkeypox e desde quando ela existe?

Para começar, vamos entender o que é a varíola dos macacos. Bem, trata-se de uma zoonose viral, ou seja, uma doença infecciosa que passa de animais para humanos, e que é causada pelo vírus de mesmo nome (varíola dos macacos). O vírus é membro da família de Orthopoxvirus, a mesma do vírus da varíola, um mal já erradicado entre os seres humanos.

A varíola dos macacos é também uma zoonose silvestre que ocorre, geralmente, em regiões de floresta da África Central e Ocidental. No entanto, há casos relatados na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália, que parecem não ter relação com as regiões africanas, um indicador de que possa haver uma possível transmissão comunitária do vírus.

Vale destacar que existem dois tipos de vírus da varíola dos macacos: o da África Ocidental e o da Bacia do Congo (África Central). A taxa de mortalidade de casos para o vírus da África Ocidental é de 1%, enquanto que para o vírus da Bacia do Congo a taxa pode chegar a 10%. 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) esclareceu que a maioria dos animais suscetíveis a este tipo de varíola são os roedores, marsupiais e primatas. Entre os humanos, as crianças estão em maior risco e mesmo a varíola durante a gravidez pode levar a complicações, como a varíola congênita ou até mesmo a morte do bebê.

Como é a transmissão da varíola dos macacos?

Vamos agora entender melhor como ocorre a transmissão da doença. Segundo a OMS, a varíola dos macacos pode ser transmitida pelo contato com gotículas exaladas por alguém infectado (humano ou animal), pelo contato com as lesões na pele causadas pela doença ou, ainda, pelo uso conjunto de materiais contaminados, como roupas e lençóis.

O período de incubação do vírus da varíola dos macacos é de 6 a 13 dias, podendo variar de 5 a 21 dias. Desse modo, a orientação é que as pessoas infectadas devam ficar isoladas e sob observação por 21 dias.

Lembramos que: a transmissão da doença via gotículas respiratórias, usualmente, requer contato mais próximo entre o paciente infectado e outras pessoas, o que eleva o risco de contaminação por parte de profissionais da saúde, membros da família e outras pessoas próximas ao doente. O vírus também pode infectar as pessoas por meio de fluidos corporais. 

E quais são os sintomas da varíola dos macacos?

Conhecer os sintomas é fundamental para buscar por atendimento médico e orientação. Assim, os sintomas da varíola dos macacos são semelhantes aos da varíola comum, porém mais leves. 

Os sintomas iniciais da varíola dos macacos incluem: 

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • dores nas costas;
  • linfonodos “inchados”;
  • calafrios e exaustão.

A doença pode também causar lesões na pele que se desenvolvem, primeiro, no rosto e depois se espalham para outras partes do corpo, incluindo os órgãos genitais.

As lesões na pele são parecidas com as da catapora ou da sífilis, até formarem uma crosta. Quando essa crosta desaparece, a pessoa deixa de infectar outras pessoas.

Casos mais leves de varíola podem passar despercebidos e representar um risco maior de transmissão de pessoa para pessoa. 

Como a doença foi identificada?

Para facilitar a compreensão de onde veio a varíola dos macacos, criamos uma série histórica sobre essa doença. Veja a seguir:

AnosSérie histórica da varíola dos macacos (Monkeypox)
1958Descoberta a varíola dos macacos em dois surtos de uma doença semelhante à varíola que ocorreram em colônias de macacos mantidos para pesquisa.
1970Registro do primeiro caso humano de varíola dos macacos, na República Democrática do Congo.
Desde então, a varíola dos macacos foi relatada em humanos em outros países da África Central e Ocidental.
2018 a 2021Relato de sete casos de varíola dos macacos no Reino Unido, principalmente, em pessoas com histórico de viagens para países endêmicos.
2021: um caso no Texas, um caso em Maryland (histórico de recente viagem à Nigéria). 
2022Caso índex (primeiro caso): Na Inglaterra, um homem que desenvolveu lesões na pele, em maio de 2022, foi internado em um hospital de Londres e, depois disso, transferido para um centro especializado em doenças infecciosas até a varíola dos macacos ser confirmada em 12/5/22. 
15/05/22: mais quatro casos foram confirmados pelo governo britânico.18/05/22: o Reino Unido informou o surgimento de mais dois casos.
Segundo a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês), até 18/05/22, houve um total de nove casos, sendo seis deles sem relação com viagens.
Também em 18/05/22, em Portugal, 14 casos foram confirmados de varíola e mais 15 casos suspeitos. Em todos os casos, os pacientes eram homens jovens, moradores de Lisboa e Vale do Tejo e os casos, até agora, concentram-se na mesma área. Esta é a primeira vez que é detectada em Portugal a infeção pelo vírus Monkeypox. 
19/05/22, na Espanha, são identificados 23 casos suspeitos compatíveis com a infecção viral, todos na região de Madri, mas ainda não há casos confirmados. O ECDC emitiu alerta para garantir uma resposta rápida, coordenada e oportuna. 
18/05/22, nos Estados Unidos, o Departamento de Saúde Pública de Massachusetts (DPH) informou um caso confirmado de infecção pelo vírus macaco-aranha em um homem adulto com recente viagem ao Canadá. 
19/05/22: em Montreal, no Canadá, 13 casos foram reportados.
19/05/22: na Alemanha, o primeiro caso é detectado.
20/05/22: foram reportados casos na Austrália, Estados Unidos (Nova York), Bélgica, Itália, Países Baixos, Israel, Suíça e Alemanha. 

E como está a evolução de casos pelo mundo?

Diante da séria histórica que mostramos acima, como anda a evolução da doença pelo mundo? Sabemos que, até o dia 24 de maio deste ano, já foram confirmados casos em 16 países, representando um montante de mais de 250 casos confirmados e suspeitos, em várias regiões do mundo. No entanto, segundo a OMS, a contaminação ainda pode ser controlada.

A varíola dos macacos é considerada endêmica na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo, na Nigéria e em Camarões.

No Brasil, ainda  não temos casos positivos para varíola dos macacos, mas em 23 de maio de 2022, o Ministério da Saúde ativou uma Sala de Situação Nacional de varíola dos macacos para executar medidas sanitárias como: 

  • reuniões com instituições e pares internos; 
  • acompanhamento de notificações de casos suspeitos e tomadas de decisões.

O Ministério definiu ainda um protocolo para notificação e rastreio clínico, no qual ficou estabelecida a obrigatoriedade de notificação imediata, em até 24 horas, pelos profissionais de saúde de serviços públicos ou privados acerca de casos suspeitos. 

No momento, os instrumentos encontram-se em validação interna. Mas o fato é que os casos suspeitos de Monkeypox devem ser notificados de forma imediata, em até 24 horas, por se tratarem de eventos de saúde pública (ESP), conforme disposto na Portaria nº 1.102, de 13 de maio de 2022, em formulário eletrônico a ser disponibilizado após finalização e validação das fichas, pelas equipes técnicas. 

Qual foi a definição de caso suspeito criada pelo Ministério da Saúde?

O protocolo do Ministério da Saúde definiu como caso suspeito uma pessoa de qualquer idade que teve contato físico com casos suspeitos ou confirmados, ou com pessoas procedentes de países com circulação do vírus de varíola dos macacos, desde 15 de março de 2022, e que apresenta:

  • início súbito de febre (>38,5 ºC);
  • adenomegalia;
  • erupção cutânea aguda inexplicável;
  • dor nas costas;
  • astenia;
  • cefaleia.

Vale destacar que deve-se excluir as doenças que se enquadram como diagnóstico diferencial* e/ou qualquer outra causa comum localmente relevante de erupção vesicular ou papular. 

*varicela, herpes zoster, sarampo, zika, dengue, Chikungunya, herpes simples, infecções bacterianas da pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancroide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso (poxvirus), reação alérgica (como a plantas).

Caso provável: 

Pessoa que atende à definição de caso suspeito e um ou mais dos seguintes critérios: ter um vínculo epidemiológico (exposição próxima e prolongada sem proteção respiratória; contato físico direto, incluindo contato sexual; ou contato com materiais contaminados, como roupas ou roupas de cama) com um caso provável ou confirmado de varíola dos macacos nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas e/ou histórico de viagem para um país endêmico de varíola dos macacos nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas. 

Caso confirmado:

Pessoa que atende à definição de caso suspeito ou provável que é confirmado laboratorialmente para o vírus da varíola dos macacos por teste molecular (PCR e/ou sequenciamento). As orientações e informações descritas acima são fundamentadas nas evidências científicas disponíveis, aliadas à análise do cenário epidemiológico mundial e poderão ser modificadas diante de novas constatações. Orienta-se que, a partir da identificação de um caso provável, seja realizada a notificação e definição da conduta, respeitando os protocolos clínicos de cada instituição. 

A Sala de Situação do Ministério da Saúde reforça ainda a importância da atualização das informações de resultados laboratoriais e dos dados clínicos e epidemiológicos faltantes dos casos notificados. 

A Rede CIEVS segue monitorando, 24 horas, 07 dias por semana, eventuais novas ocorrências. Em caso de dúvidas, é possível entrar em contato por e-mail: notifica@saude.gov.br, ou pelo telefone: 0800.644.66.45. 

Existe vacina para a varíola dos macacos?

Uma pergunta fundamental sobre a doença: temos vacina? Sim, pois a vacinação contra a varíola tradicional se mostra eficaz também para a varíola dos macacos. 

No entanto, a OMS esclareceu que as pessoas com 50 anos ou menos podem estar mais suscetíveis à doença, já que as campanhas de vacinação contra a varíola foram interrompidas pelo mundo todo quando a doença foi erradicada em 1980.  

Atualmente, a agência da ONU trabalha na verificação dos estoques atuais de vacina da varíola. E, no Reino Unido, a vacina contra varíola está sendo oferecida às pessoas de maior risco.

Então, quais seriam as outras medidas de prevenção da varíola dos macacos?

Por fim, para controlar a doença e evitar que surtos se espalhem pelo mundo, medidas importantes devem ser tomadas quando há casos confirmados. Acompanhe:

  • residentes e viajantes de países endêmicos (países nos quais ​​a doença infecciosa afeta significativamente a população) devem evitar o contato com animais doentes (vivos ou mortos) que possam abrigar o vírus da varíola dos macacos (roedores, marsupiais e primatas) e devem abster-se de comer ou manusear caça selvagem.
  • higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel para evitar a exposição ao vírus;
  • evitar contato com pessoas infectadas e/ou usar objetos de pessoas contaminadas.

Esperamos que as informações e hot topics sobre Monkeypox compartilhados neste artigo tenham sido úteis para você e tenham te ajudado a entender melhor essa “nova” doença tão noticiada ultimamente. Conhecer os riscos e saber das formas de prevenção da varíola dos macacos é a forma mais eficaz de combater esse mal e proteger a vida. Conte com a Oleak para mais saúde e bem-estar! 

Até o próximo! 

Bibliografia consultada: 

  1. ECDC. Monkeypox cases reported in UK and Portugal Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/en/news-events/monkeypox-cases-reported-uk-andportugal 81. Acesso em: 25/05/2022. 
  1. UKHSA. Monkeypox cases confirmed in England – latest updates Disponível em: https://www.gov.uk/government/news/monkeypox-cases-confirmed-in-england-latestupdates. Acesso em: 25/05/2022. 
  1. WHO. Monkeypox – United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland. updates Disponível em: https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2022- DON383. Acesso em: 26/05/2022. 
  1. CDC. CDC and Health Partners Responding to Monkeypox Case in the U.S. Disponível em: https://www.cdc.gov/media/releases/2022/s0518-monkeypox-case.html. Acesso em: 25/05/2022. 
  1. OPAS/OMS. Alerta Epidemiológico: Monkeypox em países não endêmicos. Disponível em: https://www.paho.org/es/documentos/alerta-epidemiologica-viruela-simica-paises-noendemicos-20- mayo-2022 Acessado em: 26/05/2022

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