O risco real por trás da mistura de produtos químicos
Combinar produtos de limpeza pode colocar vidas em risco e, por isso, deve-se seguir as orientações do fabricante conforme o rótulo
André Fonseca
20/02/2026
Recentemente, um caso grave de intoxicação que aconteceu na piscina de uma academia na Zona Leste de São Paulo chamou a atenção de todo o país. Apesar das investigações policiais ainda não terem apontado diretamente as causas do problema, evidências apontam que a intoxicação deve ter sido causada pela mistura incorreta de produtos químicos utilizados para o tratamento da água da piscina, além da falta de conhecimento técnico da pessoa que realizava este processo de tratamento.
Neste ponto, é importante destacar que misturar produtos de limpeza é algo extremamente perigoso.
Isso pode parecer um pouco estranho em um primeiro momento, pois é comum vermos dicas de limpeza doméstica que recomendam combinar produtos para se atingir melhores resultados. Mas a combinação de diversos elementos químicos pode colocar em risco a saúde e a vida das pessoas.
Quando alguém decide “potencializar” o efeito de um produto misturando-o com outro, sem qualquer indicação técnica, pode-se gerar reações químicas perigosas, como a liberação de gases tóxicos, a formação de compostos irritantes ou corrosivos, além da criação de reações exotérmicas, que são aquelas que liberam calor de forma mais intensa.
Falando especificamente de produtos à base de cloro, como os utilizados em piscinas, a sua combinação com outros elementos químicos pode gerar o gás cloro, que é extremamente tóxico e potencialmente fatal quando inalado em concentrações elevadas, ou as cloraminas, que são gases que irritam os olhos, a pele e as vias respiratórias.
O cloro é um elemento químico muito reativo e, por conta disso, é utilizado há bastante tempo como desinfetante e alvejante em diversos contextos, como em produtos de limpeza domésticos e profissionais (no formato de hipoclorito de sódio) ou no tratamento de piscinas (no formato de hipoclorito de cálcio).
A grande questão é que não há perigo para quem utiliza o cloro como princípio ativo da forma correta em sua rotina de limpeza. Porém, manipular produtos saneantes à base de cloro sem o devido cuidado pode causar acidentes graves. Na maioria dos casos, o problema não está no produto em si, mas no uso fora das orientações descritas no rótulo.
Todos os produtos de limpeza contam com informações importantes em seus rótulos. Além do modo de uso, que garante que o produto cumpra a sua função corretamente, os rótulos contém avisos importantes para quem vai utilizá-los. Estes dizeres obrigatórios ajudam a aumentar a segurança e alertam sobre os principais riscos de cada produto.
Além disso, os rótulos contam com o contato do Ceatox, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica. O Ceatox é um serviço especializado que oferece orientação gratuita 24 horas por dia em casos de intoxicação ou exposição a substâncias químicas, auxiliando na identificação do agente tóxico e nas primeiras medidas até a chegada do atendimento médico.
Inclusive, estes são alguns dos motivos para evitar o uso de produtos de limpeza clandestinos que, além de não ter sua eficácia comprovada, ainda oferecem este risco adicional a todos que os utilizam. Eu comentei um pouco mais sobre este assunto em um artigo recente aqui no Blog.
O episódio recente em São Paulo é um lembrete de que produtos químicos precisam do devido cuidado ao serem manipulados. Um produto químico seguro é um produto usado de forma segura. Isso significa respeitar instruções de uso e de dosagem, utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) de forma correta, e, principalmente, não misturar substâncias sem a devida indicação técnica.
Lembre-se: os produtos de limpeza são especialmente desenvolvidos para cumprir o prometido sem precisar adicionar nenhum outro elemento.

André Fonseca é Gerente de Performance & Growth da Oleak. Formado em Administração na Fundação Getúlio Vargas, atua desde 2020 gerenciando os times de Marketing e de Business Intelligence da Oleak.


